
Ainda não acordei de hibernação, limitei-me a levantar uma pálpebra e deixar um olho espreitar

Este pavimento em calçada tem uma particularidade interessante, é feito de paralelos de madeira e não de paralelos de granito, como seria expectável. Proporciona um caminhar muito confortável.




(Na continuação deste post.)
Tenho um fascínio por ruínas que ainda não consegui explicar. No início ainda pensava que gostava de ruínas pela matéria-prima que constituíam para novos projectos, pela mistura do novo e do velho que propiciam, pelas máquinas do tempo que são. Mas agora sei que não é assim, gosto de ruínas como ruínas que são. Gosto das cicatrizes nas pedras, gosto da vegetação que invade, gosto dos telhados desfeitos que ensaiam clarabóias que nunca existiram, gosto do sol e do céu que brincam no interior, gosto da solidão da ruína.
Gosto da ruína pelo que é e não pelo que poderá ser.
Gosto da ruína pelo que é e não pelo que foi.
Gosto de ruínas …






A pesca é uma actividade calma, de paciência, longas horas olhando o rio e provavelmente pensando na vida. Mas a pesca é também um motivo de convívio. A par com os pescadores solitários, vêem-se os grupos que animam a marginal, mais a mais quando se sentem observados. E brincam uns com os outros e depois um lá diz, não nos tira uma fotografia? E eu tiro, eu vou tirando… ontem fui tirando, várias…Umas já tenho local definido para onde enviar, outras disse para as procurarem no blog. Aqui estão…




Uma máquina fotográfica deve ser um cartaz que diz em letras garrafais, falem comigo! Mesmo não sendo, funciona como se fosse. E eu em determinadas alturas aprecio isso, ontem apreciei isso. São sorrisos que se trocam, memórias que ficam.
“OH Menina, tira-me uma fotografia? Comigo a mergulhar!”
Sorrio e tento, mas o tempo de disparo da máquina impossibilita a captação do momento exacto. Faço várias tentativas sem sucesso. Então acertamos … eu carrego no botão e digo salta … e ele salta. Salta um, depois outro e mais outro que o grupo era de cerca de meia dúzia. E correm para ver o resultado, e pedir outra tentativa, se o que ficou registado foi unicamente o chapinho na água.



Hoje fiquei fascinada com a forma como o vento brincava com a água, criando neblinas finas.






Gosto de ver as árvores que se inclinam pela passagem do vento, movimento vivo, quase como quem aceita uma carícia.


Estava a arrumar umas fotos já antigas e estive a observar esta com mais atenção. Afinal parece que a colónia de garças é maior do que eu pensava.


Será que a ave de pescoço longo apanhada nesta foto é a mesma desta outra fotografia?

Um zoom para melhor ver.


Tratada por quem sabe, a fotografia do post anterior ficou mais bonita. Obrigada, Zé António.

Seduzem-me as formas que tomam as grades nos edifícios Arte Nova, quase desenhadas por um único gesto.

Eu não estava a contar os dias, mas o MG chamou-me a atenção. MG esta é para ti.
Hoje um vento forte empurrava nuvens que rapidamente cobriam o azul do céu, deixando uma textura mesclada de tons suaves que me agradou. O farol, mais uma vez, teima em espreitar nas minhas fotos. É difícil passar pela beira-mar e não ser seduzida por ele, ou como tema, ou como fundo.


Acho que gostei mais da foto por ter ficado desfocada.
As vezes são as imperfeições que nos cativam.


Depois de ler este post, resolvi também eu experimentar as funcionalidades do Photoshop em cima de fotografias. Já antes tinha brincado com o programa, mas numa versão bem mais antiga. Antes de mais tinha de perceber o que cada um dos comandos faz, por isso peguei numa fotografia ao acaso na directoria de arquivo, uma foto do Ginger and Fred , edifício projectado para Praga por Frank Gehry.
Este foi o resultado final, uma imagem que me recorda trabalhos de Escher.


Esta é a fotografia original ... e ... esta uma das primeiras experiências.

Estava um fim de tarde bem bonito, o vento um pouco frio, é verdade, mas isso não se sente na fotografia. Sempre que passo de carro por aqui sinto vontade de parar e apreciar mais demoradamente, quase nunca o faço, existem sempre condicionantes.
Gostei do efeito das sombras longas do entardecer, criando uma segunda textura que combina com as marcações na betonilha no passeio.
A M. começou a falar do encanto de Aveiro, dos edifícios Arte Nova, que também a mim me agradam muito, e abriu-me o apetite para mostrar mais umas fotos.
Aveiro tem um encanto muito especial, a calma da ria em que a cidade se reflecte, uma luminosidade mais aberta, uma cidade que se percorre com agrado a pé (ou de buga, claro), uns ovos-moles a que não resisto… e claro, restaurantes fechados ao Domingo, ou então é azar nosso que não sabemos procurar.



Gosto das árvores no início da Primavera, quando as folhas e flores apenas despontam, mantendo bem visível a estrutura dos troncos. Depois da nudez do Inverno vestem-se de alegres roupagens novas. Gosto de jardins onde a mistura de espécies garante uma extensa paleta cromática.

Fui desafiada a colocar aqui no blog, mais fotos tiradas por mim. Quem me mandou dizer que gostava de fotografar, agora querem ver que almas ando eu por aí a roubar.
Deixo hoje uma só, para aguçar o apetite (ou para desistirem logo de uma vez por todas).
A escolha foi difícil mas acabou a recair sobre esta foto.

É uma gata meiga, mimalha, sempre enroscada nas nossas pernas, já perdi a conta a quantos anos tem, mas mais de 10 são certamente. Já foi mãe, avó, bisavó de ninhadas que nasceram lá por casa. Já cometeu a proeza de conseguir ter 3 ninhadas num só ano. Foi a gata que conseguiu reconciliar a minha mãe com a espécie, depois de muitos anos em que de gatos queria a distância.

Estive a ver as ondas do mar, de perfil, na entrada da Barra do Douro, com a Afurada por fundo.
O mar eleva-se e começa a borbulhar como se fervesse e não sei se é do vento, se do ponto de vista, deixa para trás um fumo branco feito de gotículas em suspensão.
Nunca tinha reparado!
Olhado assim, este braço que mar que fecunda o rio, parece fervente de paixão, em pura ebulição.

Hoje apeteceu-me fotografar o céu.
A cidade estava coberta com uma manto cinzento de textura uniforme aqui e ali rasgado por uma réstia de azul.
Mas junto ao mar, o céu era completamente diferente, cheio de vida, cheio de volume, cheio de luz e de sol.



Lembram-se de quando desenhavam árvores de Outono nos cadernos de escola?
Por mais que tentássemos representar o emaranhado de troncos, ramos e galhos, a natureza superava-nos sempre! O desenho nunca parecia natural, pareciam sempre demasiado forçados os recortes dos troncos e o intrincado dos ramos.
Eu preferia desenhar árvores moribundas, daquelas cujo tronco surge tão despido de ramos que com um único traço contínuo conseguimos representar a sua silhueta.
Lembrei-me disso ao olhar as árvores recortadas contra o céu.
Pareciam mãos de pele fina e transparente, com veias demasiado vincadas.
Pareciam mãos cansadas e idosas tentando agarrar o céu.