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abril 11, 2006
Momentos
Manteve as palavras dele no écran e foi abrindo outras páginas e programas, voltando a elas como quem, imerso em água, volta à tona, periodicamente, para respirar.
Sorvia lentamente cada letra, sentindo o odor que dela se desprendia ao unir-se às seguintes, formando palavras que os seus olhos queriam para si, que o seu coração acreditava pertencerem-lhe, mas que o seu cérebro, cauteloso e desconfiado, sempre atribuía hipóteses de outros donos.
E continuava mantendo as palavras dele no écran, sorrindo-lhe por trás do trabalho que a ocupava, não a ocupando.
E perdia-se no aroma daquelas palavras, que se soltava pelas frestas das janelas, pelas nesgas que apareciam debaixo de ferramentas e menus.
Sentia-as nos seus lábios como beijos transferidos e transfusores, como desejo que se cola e adere, se entranha, conquista, toma conta dos sentidos, amor que dói mas que liberta, ausência que cava rios e abandona, degelos de lágrimas de neves que queria não eternas.
E escancarava novamente a janela para deixar que a brisa das palavras lhe acariciasse o rosto.
Escreveu-lhe…
…abraça-me, tão forte, que a alma se me escape, se liberte…
E imaginou abraços assim fortes que as almas se fundissem.
Publicado por Cainha às abril 11, 2006 11:53 AM
Comentários
Bela vi-si-bi-li-da-de, merecedora de "abraços assim..."
Publicado por: FC
em abril 11, 2006 12:09 PM
A união das almas é do mais bonito que pode haver.
Publicado por: lua_mentirosa em abril 11, 2006 06:40 PM