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dezembro 04, 2005
Sobre escritas II
“No início, era uma mania escondida. Escrever era só um porto para encostar eternas comichões. Numa manhã apanhei-me a querer esvoaçar sentimentos, como direi?, desengaiolar-lhes. Depois, sim, vieram as estórias. Eram tantíssimas. Eu era uma própria estória em movimento. A minha avó sorria; ela me alimentava essa mania. E eu gostava de fazer colagens das estórias dos mais velhos – meu barro inicial.
Pus máscaras nas invenções espontâneas e atrevi-me a escrevinhar. Nesse sitio mágico – a Humanidade – , encontrei alguns simples mestres literários. Li outros como quem cumprimenta mais velhos. Aceitei-me, minha memória, meus laços. Tudo numa contínua estreia da descoberta: a literatura me era já muito sagrada.
Acompiladas salteadamente no tempo, estas estórias é que me sentenciaram: “nós somos seu primeiro livro”. Nunca mais deixámos de nos boleiar mutuamente.
Quando senti as palavras de Eduardo White acenderem-me uma deliciosa comichão, entrei em tréguas comigo mesmo: “dentro tens alguém que te procura e que acordado te faz sonhar”. Dentro é no coração. Afinal, esse “momento” chamado coração é o “aqui” mais próximo de cada um. Assim me confesso.”
Ondjaki, “Momentos de aqui”
Publicado por Cainha às dezembro 4, 2005 11:11 PM
Comentários
Primeiro.. amo esta frasede Albert Einstein... um grande homem, pena que não o conheci...
Escrever e ler, quem sabe se a maioria da população fizesse isso deixasse de ser alienada... se fosse pelo menos algo ruim de se fazer, mas não...
Beijocas
Publicado por: Isa em dezembro 7, 2005 04:18 AM