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junho 26, 2005

Lágrimas ocultas

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Florbela Espanca

Publicado por maria às 11:35 PM | Comentários (5) |

Não imaginava ...

careta.jpg

... que fazia semelhante careta para tirar uma fotografia. Nada como os olhos, ou a objectiva, dos outros para nos surpreenderem. (foto do lobices no final do encontro de blogs)

Publicado por maria às 04:50 PM | Comentários (9) |

junho 25, 2005

E foi ...

HPIM2251-550.jpg
... mais um encontro de blogs. Gostei de rever os já conhecidos e conhecer os restantes.

Publicado por maria às 10:58 PM | Comentários (12) |

junho 23, 2005

Muito útil!!!

dragao.jpg

Divirtam-se!!!

Publicado por maria às 11:09 AM | Comentários (7) |

Já viram...?

... o novo álbum de fotos do Mário?

Publicado por maria às 10:42 AM | Comentários (1) |

junho 18, 2005

Que sono!!!


(descoberto aqui)

Assim me sinto, ensonada, abrindo a boca até às orelhas.
Vou nanar. Uma boa noite para todos os que por aqui vão passando.

Publicado por maria às 11:51 PM | Comentários (10) |

junho 17, 2005

Também tu?

A man and his wife are fucking...Fifteen minutes has passed, 30 minutes, then 45 minutes.

Sweat is pouring off both of them. The wife finally looks up and says, "What's the matter, darling, can't you think of anyone else, either?"

Publicado por maria às 11:49 PM | Comentários (1) |

Recebid por e-mail

Assistindo a um ballet, o marido de repente começa a gargalhar. A mulher pergunta o que está acontecendo.
- Estou pensando em que reacção teria o público se de repente eu saltasse lá no palco e violentasse uma das bailarinas.
Dali a pouco, a mulher começa a rir e ele é que pergunta por quê.
- Pensei no que você faria se o público gostasse e pedisse bis!

Publicado por maria às 10:47 PM | Comentários (3) |

junho 15, 2005

Sobre escritas II

Um dia fiz um percurso em ventre de terra e pensei trazer comigo a inspiração. Engano meu, a inspiração não se consegue transportar!

Ou nos brinda, com umas parcas gotas em nossos lábios, e então devemos aproveitar, ou não nos brinda, e tudo o que produzimos é rapidamente abandonado. Frases perdidas, umas a seguir às outras, sem conseguir captar a emoção que faz com que se escreva seguido, de um só fôlego, com um movimento único, contínuo, sem levantar a caneta do papel, ou sem diminuir o ritmo com que os dedos matraqueiam as teclas do computador.

Já nem sei se faz diferença, na maneira como agarro as palavras, o escrever em papel ou directamente no computador. Sei da rapidez de um, do rigor de outro, que me faz voltar quase imediatamente atrás corrigindo erros ortográficos, de acentuação ou de unhas demasiado compridas, impelida pelos sublinhados vermelhos e verdes que teimam em prender o texto em cadeia.

Já não sei da diferença. Outrora pensava que o texto nascia invariavelmente em papel, e que a passagem a letra de imprensa servia apenas para algumas correcções ligeiras, nada de substancial. Agora sei que consigo, se o momento e o local for o adequado, escrever directamente não com o ritmo ondulante da caneta no papel, mas com o tric tric de quatro dedos que se alternam nessa tarefa metódica de bater no teclado, tentando não perder, no meio da procura de letras, a ideia que se vai formando na cabeça.

Já não sei da diferença, talvez já não exista diferença. Talvez a diferença esteja apenas nas gotas de inspiração, que uns dias me brindam e outros dias não, e que já não fazem distinção de meio físico de suporte da escrita, apenas me dizem, não confies no cérebro como papel, rapidamente o texto se perde, se altera, rapidamente se entranha deixando as zonas externas da consciência para procurar meandros mais esponjosos, que sugam partes, deixando tudo o resto sem sentido. Não sei se esses textos ficaram permanentemente perdidos ou se um dia, durante o sono, se conseguem libertar das areias movediças em que escolheram encalhar e retornam às zonas do meu cérebro onde a luz se faz, onde o sol brilha, e me deixam ensinar-lhes o caminho para o papel.

Não sei se esses textos, esses inúmeros textos que fui escrevendo com o cérebro como suporte, não se perderam, mas também não são já meus. Não sei se esses textos, nas areias movediças em que caíram, não caíram também em buracos negros, ligações entre partes esponjosas de cérebros, consciências alternativas à presente e que consubstanciam um outro mundo onde esses textos, essas palavras, essas letras têm a luz de muitos sois. Um mundo de textos perdidos em cérebros cansados.

Não acredito que todos os textos que escrevi e que nunca viram uma folha de papel se possam ter escapulido assim, de mansinho, sem quase lhes notar o movimento. Num momento ainda lá estavam, ainda era capaz de os recitar de cor, frase a frase, linha a linha, algum tempo depois já não estavam, não sei quanto tempo, porque o esquecimento é assim, não nos avisa quando perdemos alguma coisa, apenas nos apercebemos quando dela já sentimos falta. E não adianta tentar reconstruir as frases perdidas, existe um impacto da primeira escrita que não consegue ser reproduzido. Mesmo quando o que perdemos foram apenas palavras soltas no meio de frases estruturadas parece que essas palavras não encontram substituição possível.

Acredito, sim, que existe um lugar e um tempo onde os textos perdidos se reúnem, como crianças que aproveitam a distracção dos adultos que os julgam adormecidos em sestas sossegadas, e se escapulem para parques e jardins, onde a sombra de árvores e folhagem os protege do sol forte, onde o canto dos pássaros se confunde com os seus risos. E nesse lugar alternativo a este onde me encontro acredito que os textos perdidos se divertem com um jogo de esconde-esconde com a minha consciência.

Publicado por maria às 01:02 AM | Comentários (7) |

Sobre escritas I

Planos de escrita delineados mentalmente. Palavras escolhidas, alinhadas. Ideias que se vão desenvolvendo, esmerilando, lapidando, até eu as achar na forma certa. Tempo que não permite o papel, vontade que se perde noutras ocupações.

Ideia que se torna pálida, coberta pela neblina.

E quando o momento chega de tornar efectivo o que de potência era feito, já quase nada existe. As imagens foram-se esbatendo, apenas as mais fortes sobrevivem, mas perderam o contexto, perdendo o antes e o depois, a razão e a consequência.

E o que antes era lógico, sentido contínuo, torna-se agora patchwork de recordações, incompleto, de ideias ténues. Perdeu tudo, perdeu a paixão de um texto escrito num gesto só, e perdeu também o fino cuidado das palavras criteriosamente escolhidas. Perdeu tudo, fica um texto insosso, desequilibrado. E mais perdeu para mim que recordo, sem contudo conseguir reproduzir, a forma fluida que esteve levedando em minha mente.

Tantas vezes isto acontece e tantas vezes acabo cometendo o mesmo erro, de confiar excessivamente na memória, na capacidade de reproduzir, passado horas, o texto composto mentalmente. E sinto-me perdida nessa impossibilidade de manter vivo o que pensei, na forma em que o pensei. A ideia reconheço-a ainda, mas completamente destilada de tudo o que, embora não essencial, dá o encanto ao texto, cativa a leitura, faz enfim a diferença entre o que queria e o que consigo.

E essa consciência da impossibilidade da conquista, tolhe-me outras escritas, outros textos, outras ideias. As mãos ficam reféns das palavras que não conseguem reproduzir, a mente fica ocupada pelo vazio do que perdeu. Só pela desistência se dá a libertação. Só pelo abandono se dá a conquista. Não é lógico, mas efectivo.

Às vezes penso que nunca devo ensaiar escritas, que devo sempre deixar-me levar pelas ideias que me surgem no momento e rapidamente lhes dar suporte, que o meu método é o de reacção imediata, que quando começo nunca sei efectivamente onde estará o fim, como agora, que fui pensando e escrevendo, que fui descobrindo, ao mesmo ritmo que a caneta deslizava pelo papel, aquilo que queria, ou podia, escrever. Sem planos, assim é a minha escrita (pouco “profissional” eu sei), muito curta, porque está limitada pelo tempo que consigo escrever de seguida. Parando, o estilo altera-se, as ideias perdem-se e o texto é embotado.

Exercícios de sistematização são necessários, mas ainda não foram conseguidos, ficam-se, também eles, por planos delineados mentalmente.

Publicado por maria às 12:12 AM | Comentários (4) |

junho 13, 2005

Adeus

Como se houvesse uma tempestade
escurecendo os teus cabelos,
ou se preferes, a minha boca nos teus olhos,
carregada de flor e dos teus dedos;

Como se houvesse uma criança cega
aos tropeções dentro de ti,
eu falei em neve, e tu calavas
a voz onde contigo me perdi.

Como se a noite viesse e te levasse,
eu era só fome o que sentia;
digo-te adeus, como se não voltasse
ao país onde o teu corpo principia.

Como se houvesse nuvens sobre nuvens,
e sobre as nuvens mar perfeito,
ou se preferes, a tua boca clara
singrando largamente no meu peito.

Eugénio de Andrade
Até sempre!

Publicado por maria às 12:44 PM | Comentários (5) |

junho 12, 2005

...

Porque é que, mesmo passado anos, existem coisas que doem de forma tão intensa como na altura em que aconteceram?
E porque é que são frequentemente chamadas à consciência por associações indirectas de ideias?
Parece que a vida se diverte a passar rasteiras, fazendo-nos voar em direcção ao passado e aterrar rudemente no chão, esfacelando novamente mãos, cotovelos, joelhos, e, pior do que tudo, alma e ânimo.

Publicado por maria às 04:24 PM | Comentários (9) |

junho 10, 2005

Sismos

É interessante reparar nos desenhos formados pelos locais onde ocorreram sismos nos últimos 5 anos.

Visto aqui> a propósito do
WORLD JUMP DAY , uma teoria segundo a qual, se colocarmos 600.000.000 de pessoas no hemisfério ocidental a saltar ao mesmo tempo, conseguiremos alterar a órbita da terra e com isso reduzir o aquecimento global.
Acredite quem quiser!

Publicado por maria às 04:49 PM | Comentários (5) |

junho 09, 2005

Em branco

Publicado por maria às 11:57 PM | Comentários (3) |

Fim de tarde

HPIM2055-550.jpg

Publicado por maria às 11:06 PM | Comentários (3) |

Fadas


Esta foi a fada que a Jacky postou para mim.
Boas Férias, Jacky!.

Publicado por maria às 10:30 PM | Comentários (1) |

junho 08, 2005

Objectos com humor

Descoberto agora mesmo...

Objectos

Publicado por maria às 01:11 PM | Comentários (6) |

junho 07, 2005

Tempo de Poesia

Todo o tempo é de poesia

Desde a névoa da manhã
à névoa do outro dia.

Desde a quentura do ventre
à frigidez da agonia

Todo o tempo é de poesia

Entre bombas que deflagram.
Corolas que se desdobram.
Corpos que em sangue soçobram.
Vidas que a amar se consagram.

Sob a cúpula sombria
das mãos que pedem vingança.
Sob o arco da aliança
da celeste alegoria.

Todo o tempo é de poesia.

Desde a arrumação ao caos
à confusão da harmonia.

António Gedeão

Publicado por maria às 12:37 AM | Comentários (4) |

junho 01, 2005

Em forma

(recebida por e-mail)

"Eu estou em forma! Redondo é uma forma!"

Publicado por maria às 11:52 PM | Comentários (5) |

Junho

6junho.jpg

Publicado por maria às 11:48 PM | Comentários (5) |


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