abril 28, 2005
Óleo de tangerina
(post em resposta ao desafio do Nikonman)
O dia estava límpido, um sol forte reflectia-se no espelho de água e fazia texturas no tecto. Ondulações sensuais, variações de brilho e de tom. Às vezes um arco-íris tomava forma para logo se dissolver. Olhando o tecto parecia que estava olhando através de uma cortina diáfana, uma realidade que se revelava lentamente.
Pela enorme caixilharia de vidro via o mar revolto ao longe, via a agitação das ondas e das árvores que contrastava com o silêncio da sala, com a minha calma.
Estava perdido nestas observações quando reparei que ela já tinha chegado para a massagem, já se tinha deitado de bruços e aguardava, com uma toalha de seda cobrindo as nádegas.
Hoje seria diferente, queria que ela sentisse a diferença, que não fosse mais um dos hábitos que se adquirem, e que só valorizamos se lhe sentimos a falta.
Teria que quebrar a rotina, a rotina do corpo que conhecia já de cor, a rotina dos movimentos já esperados. Hoje teria que ser diferente.
Pedi-lhe que se virasse de frente. Ela olhou-me com estranheza mas acedeu.
Peguei num frasco com óleos de frutos e espalhei nas minhas mãos. Um cheiro a citrinos invadiu a sala. Peguei-lhe nos dedos dos pés e comecei a massajá-los suavemente, um a um.
Na minha posição via o recorte dos dedos contra o fundo da toalha de seda que lhe cobria parte do corpo. O azul forte contrastava com o moreno da pele. Imaginei os dedos dela como cordilheiras de montanhas que se recortavam num céu escuro de tempestade, escuro e ao mesmo tempo com um brilho intenso de um sol que lutava para não ser vencido.
Massajei-lhe as plantas dos pés em movimentos lineares sempre retomados. Sentia a tensão desaparecer, deslassar. Peguei num dos pés entre as mãos, e massajei-o completamente, seguindo para o tornozelo.
Reparei que a pulseira que me habituara a encontrar havia desaparecido. Talvez a tivesse perdido, pensei. Sempre adorara a forma como a pulseira descaía sobre o tornozelo, a forma como o pé saía valorizado, a consciência de sensualidade que a mesma significava.
Peguei no outro pé, e massajei-o também. Quando cheguei ao tornozelo reparei numa pequena tatuagem, feita em tons de castanho, quase se confundindo com o moreno da pele. O motivo era abstracto, floral talvez, mas parecia que sempre ali tinha estado tal era o modo como assentava. Muito leve, como uma textura, como uma marca de nascença.
Pensei em como gostaria de poder massajá-la de uma forma mais sensual, como gostaria de usar mais do que as mãos para acariciar aquele corpo.
As minhas mãos continuavam a trabalhar, independentemente dos pensamentos que me assaltavam. Às vezes tinha medo que qualquer trejeito no meu rosto deixasse transparecer que pensava nela de outros modos. Desviei a atenção dos pés e percorri com o olhar o corpo dela, as pernas nuas, a toalha que tentava ocultar, mas que ainda tornava mais excitantes as formas que se revelavam, os contornos que se tornavam perceptíveis.
Quando cheguei ao rosto reparei que ela estava de pálpebras cerradas, e de boca entreaberta. Senti que ela estava completamente abandonada nas minhas mãos. Os olhos fechados deixaram-me descansado, ela não me observava, podia continuar com as minhas fantasias. Imaginei que podia usar os lábios, que os humedeceria e que percorreria a perna, do tornozelo ao joelho, num beijo contínuo.
Ela estremeceu e eu assustei-me, ter-me-ei deixado levar pela minha fantasia?
Mas não comentou nada, e eu também não, que poderia dizer? Que enquanto, profissionalmente, as minhas mãos se ocupavam do seu corpo, a minha mente se deixava levar e eu era amante fervoroso, que sorvia avidamente cada frémito, cada reacção.
Continuei percorrendo as pernas, numa massagem rápida, ritmada. Ora uma coxa, ora outra e por fim as duas ao mesmo tempo, em movimentos desfasados.
Reparei que ela entreabriu mais os lábios, e poderia jurar que tinha deixado escapar um suspiro.
Continuei cada vez mais rapidamente, imaginava que não eram as minhas mãos mas as minhas coxas que esfregavam as dela. Imaginava o meu corpo todo massajando o dela, comprimindo o dela. As mãos que agarravam os seios, a lábios que se enterravam na curva do pescoço.
Ela estremeceu e retesou-se, senti que corava, que suava. As coxas apertaram-se prendendo as minhas mãos. Reparei que as mãos agarravam com força a marquesa, as unhas quase perfurando a pele.
Sentia arqueando-se, elevando as nádegas. Podia jurar que ela se tinha vindo, ali, à minha frente, literalmente nas minhas mãos.
Estava profundamente excitado, tinha medo que o volume se notasse debaixo da roupa, mas ela permanecia de olhos fechados. Afastei levemente a toalha que lhe cobria as ancas e comecei a massajar o ventre. Estava agora ao lado da marquesa, ao nível das mãos dela.
Senti que roçava ligeiramente o meu corpo nas mãos dela, que permaneciam agarradas à marquesa. Tentei afastar-me mas a massagem aproximava-me novamente. Reparei que ela acompanhava o meu movimento com as costas da mão, sentindo-me. Descuidadamente encostei-me mais, para que ela me sentisse.
Não reagiu. Deixou-se estar encostada.
Cada vez mais eu me sentia excitado, uma vontade incrível de fazer amor com ela.
Senti que ela afastava a mão. Pensei que finalmente se tivesse apercebido do meu estado e que o pretendesse ignorar. Continuei com a massagem, agora mais lentamente, com mais cuidado.
Mas ela voltou a palma da mão para cima, meteu-ma no meio das pernas e agarrou-me firmemente. Abriu os olhos lentamente e fitou-me longamente, como se avaliasse as minhas reacções.
Disse por fim: "Quero-te … agora … não consigo resistir mais."
Despiu-me, a minha erecção era por demais evidente.
Aos pés da marquesa, puxei-a pelas ancas, as pernas abrindo-se. A toalha azul tentando esconder, mas facilmente escorregando para o chão. Entrei profundamente nela. Os pés nos meus ombros traziam-me o odor dos citrinos.
Comecei uma dança louca, conduzida furiosamente, mãos nas ancas dela. Os seios movendo-se ao mesmo ritmo, os cabelos louros em desalinho.
Viemo-nos violentamente, com as pernas dela enlaçando a minha cintura, as minhas mãos enterradas nas nádegas dela.
Lá fora, o céu continuava límpido e o mar agitado.
Publicado por maria às abril 28, 2005 11:10 PM
Comentários
Espectacularmente erótico!
Publicado por: wind em abril 29, 2005 12:04 AM
Isto, pelos vistos, pega-se meu. Está muito, mas mesmo muito bom.
Publicado por: Fernando em abril 29, 2005 04:53 AM
Excelente a resposta ao desafio!!!
*A
Publicado por: Alexandre em abril 29, 2005 09:21 AM
Prendi-me às tuas palavras do princípio até ao fim :) até me arrepiei...
Publicado por: jacky em abril 29, 2005 08:21 PM