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abril 04, 2005
Desfasamentos
Quando ele chegou, ela já dormia. Quando ela saiu, dormia ele ainda.
As frases, para terem força, devem ser despidas de pormenores.
Não vale a pena dizer que ela o tinha esperado acordada, e que tinha sido vencida pelo sono, de luz acesa e livro aberto.
Não vale a pena referir que quando ela se levantou, ele já estava semi-desperto.
Não vale a pena acrescentar que no tempo de espera ela adormeceu e acordou várias vezes, que apagou luzes, esperou, escutou, desistiu.
Que a cama vazia que se espera preenchida é incómoda, desconfortável.
Que a cama que se sabe vazia pela noite toda, é um reino só seu, não refém de esperas e vontades de outros. É um reino de fantasia que dará suporte ao seu sono e seus sonhos.
Que a mesma cama não é efectivamente a mesma cama todos os dias, são mundos distintos.
Que o sono que se sabe condicionado por movimentos e ruídos, não se liberta, não fluiu como um rio, não parte como um carro, fica, como avião de carrossel, preso, em movimentos cíclicos, suspenso da iminência do acordar.
As fases, para serem visíveis, são despidas de outros pormenores.
Publicado por maria às abril 4, 2005 07:19 PM
Comentários
Só hoje consigo comentar:(((( Infelizmente há muitos casais desfasados como este... beijos*
Publicado por: wind em abril 10, 2005 08:15 PM